Lyon encara chegada de Endrick como um messias para a camisa 9
- ogalofrances
- 4 de jan.
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Não havia sinal mais enganoso do que a presença de dois torcedores do Lyon do lado de fora do centro de treinamento no dia da apresentação oficial de Endrick. No dia seguinte ao recesso escolar, o clube esperou até o último minuto para anunciar a coletiva de imprensa, e era preciso ser um torcedor fanático do OL para atravessar a gélida esplanada de Décines naquela segunda-feira.
O atacante, emprestado por seis meses pelo Real Madrid (onde tem contrato até 2030), não foi cercado pela multidão ao sair no banco do passageiro do carro alemão dirigido por sua esposa; seus pais não derramaram lágrimas quando ele chegou ao palco do auditório, como haviam feito um ano e meio antes, quando ele foi apresentado em campo no estádio Santiago Bernabéu.

No entanto, para o Lyon, o evento de segunda-feira foi significativo, pois era um dia de folga para todo o elenco profissional, com exceção dele. Foi uma homenagem aos tempos de glória do clube, quando as contratações de Yoann Gourcuff, em 2010, e Sonny Anderson, em 1999, consolidaram as grandes ambições da era Jean-Michel Aulas. Com a chegada do jovem de 19 anos Endrick Felipe Moreira de Sousa, o OL reafirma suas aspirações europeias seis meses depois de escapar por pouco do rebaixamento da Ligue 1.
“A prioridade é, obviamente, o plano esportivo. Estamos convencidos de que Endrick é o ingrediente que faltava e que ele contribuirá muito na segunda metade da temporada”, explicou Michael Gerlinger, diretor-geral do clube. “É evidente que o perfil de Endrick é tão alto que ele também nos ajudará com a nossa imagem. O vídeo da sua chegada gerou 20 milhões de visualizações, o que é um recorde para nós. Recriamos um espírito de equipe extraordinário neste clube. Queremos manter essa ambição e essa mentalidade positiva para a segunda metade da temporada. Endrick precisa nos ajudar em todas as áreas.”
A direção do Lyon não consegue esconder a satisfação por ter concretizado um negócio que já vinha sendo negociado há algum tempo. "Como todos sabem, tomamos a decisão no último dia da janela de transferências, no início de setembro, de deixar a posição de atacante titular em aberto para um possível empréstimo ou transferência em janeiro", explicou Gerlinger. "Antes disso, Matthieu (Louis-Jean, o diretor técnico) sugeriu que tentássemos emprestar um dos maiores talentos do futebol mundial. Estou muito feliz hoje por ver que chegamos onde queríamos. Devo agradecer a Matthieu por essa ideia, por todo o trabalho realizado com Benjamin (Charier) e a equipe de recrutamento."
“Este é um momento importante para nós, pois estávamos esperando por um camisa 9 há muito tempo”, continuou o diretor técnico. “Estamos muito, muito, muito felizes com a chegada de Endrick. Foi uma longa jornada. Ficamos muito decepcionados no final da janela de transferências de verão. Mas sempre quisemos aproveitar esta janela de oportunidade para contratar um jogador que realmente fosse um reforço para a equipe. No dia seguinte ao fechamento da janela de transferências, começamos os primeiros contatos. Tínhamos identificado um jogador em particular que poderia ser liberado em janeiro, com o talento necessário. Mas também alguém capaz de suportar a pressão de um grande clube, como ele já demonstrou, seja no Palmeiras, no Real Madrid ou na seleção. Para nós, foi um negócio realmente vantajoso para ambos os lados.”
O próprio jogador pareceu não ter dúvidas disso, durante sua primeira aparição pública, onde mencionou frequentemente a ajuda de Deus e de sua esposa, Gabriely, antes de afirmar que sua última meia temporada em Madri, com apenas uma partida como titular e 99 minutos em campo (incluindo todas as competições), havia sido "os seis melhores meses" de sua vida. "Hoje meu coração está em Lyon, minha cabeça está em Lyon", declarou a nova estrela brasileira de um clube historicamente muito comprometido com o talento brasileiro.
Porque se Endrick insistiu em fazer uma pausa de seis meses no seu sonho em Madrid, é porque tem outra esperança, desta vez de amarelo e verde: voltar rapidamente à Seleção (14 jogos, o último em março, 3 gols) e jogar a próxima Copa do Mundo sob o comando de Carlo Ancelotti, seu antigo mentor no Real Madrid. "Esta decisão é minha, mas claro que Carlo teve influência, porque ele é um grande treinador. Trabalhei e evoluí muito com ele", reconheceu Endrick. "Ele me aconselhou a jogar futebol onde eu pudesse jogar, onde eu pudesse ser feliz."
“Apesar do tempo de jogo limitado nesta temporada, Endrick continua sendo o foco das atenções no Brasil e na Europa. Sua contribuição por minuto em campo permanece a de um jogador excepcional, e é normal que as expectativas sejam altas para que ele jogue com mais frequência”, explicou Frederico Pena, CEO da Roc Nation Sports, agência que gerencia sua carreira.
Nos próximos meses no Lyon, ele tem garantia contratual de jogar a grande maioria das partidas, em uma posição de ataque onde apenas Malick Fofana (indisponível até pelo menos o final de janeiro) possui talento comparável. Tanto o belga quanto o brasileiro têm a Copa do Mundo em vista. Mas, no momento, é o primeiro quem tem a melhor chance de ir aos Estados Unidos em junho.







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